TAVAJ: a acreana que foi referência na aviação da região Norte

Referência na aviação da região Norte em décadas passadas, TAVAJ começou como táxi-aéreo e, em seus tempos de ouro, chegou a atender mais de 30 cidades brasileiras, incluindo voos até para Belo Horizonte. Abaixo, conheça mais sobre a história da companhia.

De táxi-aéreo para linha aérea

No início da década de 70, começavam as operações do Táxi Aéreo Vale do Juruá, criado no estado do Acre. A principal base de operações ficava em Cruzeiro do Sul (CZS), onde está localizado o aeroporto mais ocidental do Brasil, e o objetivo era atender toda a região por ali, que até hoje é carente de ligações aéreas. Ao longo dos seus primeiros 20 anos de atividade, a TAVAJ ganhou experiência no setor e se desenvolveu bastante, buscando aumentar a qualidade de seus serviços e atender até aeronaves de outras empresas em programações de manutenção em suas instalações.

Foto: Arquivo Flap

Com a companhia em ritmo de crescimento, decidiu-se mudar a sede para o Aeroporto Internacional de Rio Branco, que tinha mais estrutura para acompanhar o desenvolvimento da empresa. O nome TAVAJ se tornou referência na aviação local e em 1994 após receber as devidas autorizações do DAC (Departamento de Aviação Civil), o táxi-aéreo passou a ser uma linha aérea, alterando a sua designação para TAVAJ – Transportes Aéreos Regulares S.A.

A frota inicial da ‘nova’ aérea regional brasileira era composta por cinco Embraer 110 Bandeirantes. Eles tinham capacidade para acomodar 19 passageiros e eram responsáveis por cumprir voos partindo de Rio Branco para Eirunepé, no Amazonas; e Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul, no Acre. Em seus primeiros meses no ar, a TAVAJ obteve uma média de 47% de aproveitamento em seus voos.

Expansão da frota e da malha

Em 1995, a empresa experimentou um crescimento de 111% em sua capacidade e ampliou sua frota com a chegada de dois E110 e seu primeiro Fokker 27 MK600 (PT-TVA), que de início foi escalado na “ponte-aérea” acreana entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul e também em um novo voo até Manaus. O “Jacaré” (apelido que o Fokker 27 leva) veio da Air UK, empresa aérea do Reino Unido.

Ele chegou no Brasil realizando escalas em locais como a gelada Groenlândia, isso porque o custo de adicionar um tanque extra na aeronave para realizar a travessia sobre o Atlântico entre Dakar e Recife era muito alto e a empresa optou a rota pelo Polo Norte.

Foto: Arquivo Flap

Logo no início das operações, o PT-TVA apresentou problemas de manutenção e precisou ficar parado por um período, trazendo prejuízos à companhia. O motivo de todo esse tempo fora de operação foi a falta de recursos para pagar o serviço prestado pela Rolls-Royce.

Foto: Arquivo Flap

No ano seguinte, a TAVAJ foi surpreendida com uma oferta irrecusável feita pela Bombardier: quatro Dash Q200s, com um crédito de 60 milhões de dólares. Os Dash 8 eram mais econômicos e confortáveis do que os antigos Fokker e caíram como uma luva na companhia. O primeiro deles, PT-TVB, chegou em dezembro de 1996, seguindo pelo PT-TVC, em janeiro de 1997. As aeronaves eram equipadas com motores PW 123 – 300, os ideais para operar no clima quente Amazônico. Configurados para apenas 29 passageiros, a TAVAJ esperava ter uma frota de 10 dos turboélices canadenses, o que não veio a se concretizar. A empresa optou por tal configuração pois era possível requerer a uma suplementação tarifária existente para aeronaves de até 30 lugares. O Dash 8 Q200 geralmente acomoda 37 passageiros, em seu layout mais comum.

Crise financeira

A desvalorização do Real frente ao Dólar em 1999, enterrou os sonhos da companhia acreana. Os custos de leasing dos Dash 8s aumentaram consideravelmente e a alternativa foi devolvê-los, trazendo um transtorno para a empresa, que naquela altura voava para 31 destinos, no Acre, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso e até Goiás. Assim terminou a rápida vida dos turboélices canadenses na TAVAJ, que foi uma das únicas empresas a voarem com o modelo no Brasil.

A aérea vinha enfrentando problemas financeiros e dos nove Bandeirantes que tinha em sua frota, apenas cinco estavam ativos. O fundador e então presidente da empresa, José Idalberto da Cunha, optou por captar recursos para colocar o Fokker 27 PT-TVA de volta em atividade, depois de anos parado.

Foto: Arquivo Flap

Um Embraer 120 Brasília (PT-MFA) foi negociado junto à Pantanal e voou nas cores da TAVAJ por dois anos. A companhia também negociou com a Jet Sul, de Curitiba, um outro Fokker 27 o PT-LAH (ex TAM) que foi incorporado à frota da acreana substituindo o Brasília. Um segundo Fokker 27 também chegou a ser negociado com a JetSul, mas sequer saiu da capital paranaense.

Foto: Arquivo Flap

Em 1999, o terceiro Fokker 27 foi incorporado: PT-FPR. Esse “Jacaré”, da versão MK200, começou sua carreira na Comair Airlines, da África antes de vir ao Brasil. A aeronave, mesmo tendo sido pintada nas cores da TAVAJ, jamais chegou realizar um voo pela empresa e desde então segue estacionada no Aeroporto de Rio Branco.

Mudança de base a padronização da frota

O ano de 2002 foi de mudanças na TAVAJ: a empresa mudou sua base operacional de Rio Branco para Manaus, de onde decolavam voos para Belém, Cruzeiro do Sul, Tefé, Santarém, Eirunepé, Carauari, Tarauacá e Tabatinga, na fronteira com a Colômbia. Outra decisão da empresa foi padronizar sua frota, com a devolução de todos os Bandeirantes e ela ficou somente com três Fokker 27s.

Em 2003, a empresa tentou incorporar um ATR42, mas o fato não se concretizou.

Acidente e fim das operações

No dia 20 de outubro de 2003, o Fokker 27 PT-TVA, veterano da frota da TAVAJ, se acidentou em Tarauacá após a roda dianteira da aeronave ter sido danificada por conta de uma irregularidade da pista, causando a perda de controle do Fokker. Não houveram vítimas fatais, porém o PT-TVA jamais voltou a voar. Quase um mês depois, outro Fokker 27, o PT-LAH sofreu danos durante uma decolagem também em Tarauacá.

Em 2004, ocorreu um acidente de um Brasília (não pertencia a TAVAJ) em Manaus e o fato fez com que o DAC fosse mais rigoroso na fiscalização das empresas aéreas regionais. A TAVAJ não possuía simulador de voo naquela época para treinar os seus pilotos e o custo para o treinamento ficou muito alto, uma vez que a empresa teria que deslocar seus tripulantes até a Holanda para realizar os treinamentos na Fokker. A empresa foi auditada pelo DAC e em 2004 encerrou suas operações, quando já havia transportado cerca de 14 mil passageiros, naquele ano.

Foto: Arquivo Flap

A suspensão dos voos da TAVAJ deixou um vazio nas regiões em que a empresa era presente e também marcou a última operação regular de um Fokker 27 no Brasil.

Onde ainda é possível ver uma aeronave nas cores da TAVAJ?

PT-LAH: este Fokker 27 encontra-se até hoje estacionado no Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitscheck, em Brasília e do terminal de passageiros é possível vê-lo perfeitamente. Mesmo parados há muitos anos ali, a aeronave está de certa forma ainda “preservada”.

PT-FPR: o ‘FPR’ chegou na TAVAJ e nunca realizou voos na empresa. Ele está até hoje no Aeroporto Internacional de Rio Branco, não tão preservado quanto o PT-LAH, mas ainda possui as cores da empresa acreana.

PT-LAG: esse foi o Fokker 27 negociado com a Jetsul que nunca decolou de Curitiba e até hoje está lá, nas cores da TAVAJ.

Confira abaixo um vídeo da operação do Fokker 27 na TAVAJ:

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